Papa Leão XIV no Angelus: Só lembrando os mortos podemos manter a esperança

Ao recitar o Angelus, o Papa disse: «Só lembrando os mortos podemos manter a esperança» Ao recitar o Angelus, o Papa disse: «Só lembrando os mortos podemos manter a esperança»

A ressurreição de Jesus ilumina o nosso destino

O Papa Leão XIV falou à congregação reunida na Praça de São Pedro no domingo sobre o significado destes primeiros dias de novembro para a Igreja, nomeadamente a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. O Papa disse que nesta época, «a ressurreição de Jesus, o crucificado, ilumina o destino de todos nós».

Citando o Evangelho de João, ele refletiu sobre as palavras de Jesus, afirmando: «Esta é a vontade daquele que me enviou, que eu não perca nada do que Ele me deu, mas que o ressuscite no último dia».

Ao considerar estes comentários, o Papa afirmou que «a vontade de Deus é clara» e que «nenhuma pessoa deve ser perdida para a eternidade e que todas as pessoas devem ter um lugar para partilhar as suas características únicas».

Uma comunhão que harmoniza as distinções

Considerando o funeral do dia anterior, Todos os Santos, o Papa Leão disse: “Uma comunhão de diferenças que, de certa forma, estende a vida de Deus às Suas filhas e filhos que desejam participar [1]”. Cada pessoa tem um anseio [2] por: «Reconhecimento, aceitação e alegria», conforme confirmado por Bento XVI, pela abreviatura: «vida eterna = desejo». Ou melhor, eternidade [3] = «Uma experiência de imersão completa num oceano de amor eterno, em que o tempo, antes e depois, não tem significado».

Ao dizer «A plenitude desta vida e alegria, que está em Cristo, é agora algo que vemos colorido e vivo pela nossa antecipação e desejo, de todo o nosso ser», o Papa Leão descreveu a alegria da vida que é criada através do Espírito por meio de Cristo; e, portanto, somos chamados a lembrar aqueles que nos precederam. Reconhecer a existência das gerações anteriores.

Durante a Festa de Todos os Santos, o Santo Padre refletiu sobre o significado da morte, dizendo: «Sempre que a morte nos tira vozes, rostos e até mundos que podem parecer — como os nossos entes queridos — acredito que Deus nos dá esta garantia de que um homem ou uma mulher representam um mundo para Ele».

Ele pensou sobre a importância da memória; disse que «é um recurso incrível e, ao mesmo tempo, algo frágil». A memória é importante porque, sem ela, não podemos lembrar-nos de quem era Jesus ou do que Ele fez (vida, morte, ressurreição), e então o enorme valor associado ao viver cada dia provavelmente se perderá nas nossas vidas. No entanto, ele também afirmou que, por causa de Cristo, aqueles que vivem na obscuridade ou que podem ter sido apagados pela história ainda têm um valor tremendo por quem são.

Uma esperança que olha para o futuro

Mais tarde, o Papa Leão reiterou aos reunidos que, durante muitos séculos, os cristãos recordaram os seus mortos durante a missa ou a celebração eucarística, pedindo a Deus que incluísse os seus entes queridos na Oração Eucarística. Proclamou ainda que, desta esperança na salvação de todos, surge a certeza de que ninguém se perderá para sempre do amor de Deus.

Ele motivou os fiéis a converterem as suas idas aos cemitérios em experiências de «silêncio que rompe o ruído da existência» e pediu-lhes que parassem para refletir sobre a sua fé e manter a esperança. Como se encontra no credo (credo): «Aguardo a ressurreição para a vida eterna».

«Honremos, então, o futuro», concluiu o Papa Leão, «pois não estamos confinados ao passado ou à tristeza emocional da nostalgia. Nem estamos presos no presente, como se estivéssemos dentro de um túmulo».