Papa Leão XIII: Pense na morte para se preparar para a vida eterna

Ao se reunir com os fiéis, o Papa disse: “Pensem na morte; nosso tempo na Terra é para nos prepararmos para a vida eterna” Ao se reunir com os fiéis, o Papa disse: “Pensem na morte; nosso tempo na Terra é para nos prepararmos para a vida eterna”

O Papa Leão XIII sobre a morte e a ressurreição

Na Audiência Geral de 10 de dezembro de 1903, o Papa Leão XIII enfatizou a importância de refletir sobre a morte para compreender como a Ressurreição de Cristo pode transformar quem somos em quem devemos nos tornar e dar um novo significado às nossas vidas, especialmente no mundo de hoje, onde a maioria das pessoas não quer pensar na morte.

O Pontífice fez um discurso aos fiéis que participavam da missa fora da Basílica de São Pedro, na Praça de São Pedro, referindo-se à forma como nossa compreensão da morte influencia nossas decisões sobre o que queremos fazer em nossas vidas.

Segundo ele, por meio da oração, podemos discernir quais coisas realmente contribuem para o céu aqui na terra, bem como nos livrar de tudo o que não é necessário e apenas nos mantém aqui na terra por um curto período de tempo, e nos preparar para a eternidade.

Os ensinamentos catequéticos do Papa Leão XIV continuaram com “A Ressurreição de Cristo e os Desafios do Mundo Moderno”, sob o título da série chamada“Jesus Cristo, Nossa Esperança”.

O Papa abençoa uma criança na Audiência Geral (@Vatican Media) O Papa abençoa uma criança na Audiência Geral (@Vatican Media)

A morte como um tema esquecido na cultura moderna

A ideia da morte deixou de ser um tema sobre o qual as pessoas costumavam conversar e compartilhar suas experiências para se tornar um assunto que geralmente é ignorado. O Papa Francisco afirma que “o enigma da morte tem intrigado a humanidade há muito tempo”, sendo ela tanto a coisa mais natural que pode acontecer quanto uma das coisas mais estranhas que já ocorreram no universo.

O anseio pela vida e pela imortalidade que sentimos por nós mesmos e por nossos entes queridos nos leva a perceber a morte como um castigo, como uma forma de “contradição”.

Ele destacou como, nas últimas décadas, muitas culturas diferentes criaram tradições para honrar aqueles que morreram e passaram para a vida após a morte, em comparação com a cultura atual, que parece não apresentar nenhuma prática desse tipo.

A morte é geralmente considerada um assunto sobre o qual não gostamos de falar e parece que queremos mantê-la longe de nós. Assim, falamos sobre ela em voz baixa ou longe dos outros, pois nos sentimos incomodados com o que podemos dizer a respeito. Esse comentário destaca algumas das razões pelas quais as pessoas tendem a evitar cemitérios.

Praça de São Pedro durante a Audiência Geral (@Vatican Media) Praça de São Pedro durante a Audiência Geral (@Vatican Media)

A ciência pode derrotar a morte?

A ciência fornece provas de que a vida eterna resultará em realização? Ao mesmo tempo, muitas perspectivas modernas do campo da antropologia prevêem a morte “iminente” devido às qualidades antropocêntricas. Suas previsões propõem melhorias tecnológicas para manter nossos corpos físicos neste planeta para sempre.

O Papa afirmou que “o cenário do transumanismo é talvez um dos principais desafios do nosso tempo”. “Os cientistas podem derrotar a morte? Podemos confiar na ciência de que uma vida sem morte é uma vida cheia de felicidade?”

Os seres humanos se sentem impotentes diante da morte.

O fardo existencial da mortalidade

O Papa perguntou: “Então, o que é a morte? É realmente a última palavra sobre quem somos?” Ele continuou explicando que a compreensão da morte, em algum nível, “sobrecarrega” os seres humanos em comparação com outras criaturas com vida; ele também citou que os animais “não pensam no significado/propósito/impacto de suas vidas”.

A partir dessa perspectiva, pode-se argumentar que somos seres paradoxais e insatisfeitos por natureza. Estamos insatisfeitos não apenas porque vamos morrer, mas também pela certeza de morrer sem saber como ou quando vamos morrer.

“Tornamo-nos conscientes e, ao mesmo tempo, sentimos uma falta de controle. Essa dualidade provavelmente serve como a raiz das repressões comuns e das fugas existenciais da investigação da mortalidade.

O Papa Leão durante a Audiência Geral (@Vatican Media) O Papa Leão durante a Audiência Geral (@Vatican Media)

A ressurreição de Cristo como resposta

Uma resposta às nossas perguntas existenciais fundamentais.

No entanto, o Papa forneceu uma resposta a todas essas reflexões por meio da ressurreição de Cristo.

Isso nos mostra que, embora possamos estar vivenciando a morte como algo separado e oposto às nossas vidas, a verdade é que a morte, como parte da vida, é na verdade uma transição para a eternidade. Nesta passagem, apesar das provações e dores que estamos vivenciando atualmente, temos uma imagem ou um vislumbre de como nossas vidas serão plenas depois de passarmos pelas eras da eternidade.

Somente compreendendo a Ressurreição é possível entender o grande mistério da morte. Portanto, à luz dessa compreensão, todas as esperanças e anseios de nossos corações serão realizados com isso; que a morte não acaba com nada, mas simplesmente abre uma porta para a luz plena e a alegria eterna!

Através do Amor Divino para a Vida Eterna

Ele continuou: “Aquele que ressuscitou e nos precedeu através do profundo sofrimento da morte, em virtude do poder do Amor Divino, criou para nós um lugar para descansarmos eternamente, um lugar onde encontraremos nosso lar esperado. Ele nos deu toda a plenitude da vida, sem mais sombras ou contradições”.

Segundo o Papa Francisco, a única maneira de pensar na morte como “nossa irmã”, como fez São Francisco, é através das lentes da ressurreição de Cristo; isso nos permite ver além da morte, na esperança da ressurreição de Jesus, que “oferece proteção contra o medo do esquecimento eterno e nos prepara para a felicidade da vida eterna”.

O Papa Leão abençoa um bebê durante a Audiência Geral (@Vatican Media) O Papa Leão abençoa um bebê durante a Audiência Geral (@Vatican Media)